O espelho pede maquiagem
Porque hoje eu acordei desfigurada
Embaçada no vidro do carro
Escorrendo entre o delírio e
A gravidade de um sorriso.
Piscar,
Sutil pretexto do corpo
Para brincar de esconder
E de achar o mundo
Entre o emaranhado dos cílios
De alguém.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Frágil
O corpo é precipício da alma
E a física um balé alegre de tormentos
Não adianta ancorá-lo nas estrelas
Pois a gravidade nasceu para todos
Como o sol entre todas as pernas
Todos redutíveis
Ao afeto
E a física um balé alegre de tormentos
Não adianta ancorá-lo nas estrelas
Pois a gravidade nasceu para todos
Como o sol entre todas as pernas
Todos redutíveis
Ao afeto
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Sábado, 16 de Maio de 2009
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Mão dupla
Vai com um pé dentro e,
o outro, dentro de coisa outra.
Como se calçasse sapatos
de diferentes pares
para andar às margens da lagoa
Cada passo a seu peso,
cada tempo a seu compasso.
Ele caminha em duas direções,
a um passo de perder o próprio rumo
para o acaso.
Peço que fique descalço,
para sentir o plexo da terra:
a melhor vitrine de sapatos.
o outro, dentro de coisa outra.
Como se calçasse sapatos
de diferentes pares
para andar às margens da lagoa
Cada passo a seu peso,
cada tempo a seu compasso.
Ele caminha em duas direções,
a um passo de perder o próprio rumo
para o acaso.
Peço que fique descalço,
para sentir o plexo da terra:
a melhor vitrine de sapatos.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
A cena
Nasci assim.
Arrebatável.
E na angústia nauseante
do silêncio esfrego o
morto-vivo de teus olhos
atrás do palco
dos juízos.
Arrebatável.
E na angústia nauseante
do silêncio esfrego o
morto-vivo de teus olhos
atrás do palco
dos juízos.
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Outono
Com as mãos silenciosas
repouso nosso mundo nos
joelhos de um gafanhoto
e dou passos para trás do
vento que me leva as águas
e farfalha as laranjeiras e
os cabelos que chicoteiam
um rosto indelével
que sorri
secretamente
perversamente
envergonhado
(refazendo a idéia* inicial do anterior)
*cagarei, enquanto puder, para a reforma ortográfica.
repouso nosso mundo nos
joelhos de um gafanhoto
e dou passos para trás do
vento que me leva as águas
e farfalha as laranjeiras e
os cabelos que chicoteiam
um rosto indelével
que sorri
secretamente
perversamente
envergonhado
(refazendo a idéia* inicial do anterior)
*cagarei, enquanto puder, para a reforma ortográfica.
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Lá
Clara se esguia
Na ponta de cada pé
Com braços que alcançam seu quase
Desejo
A música não consegue
O som de todas as mortes
E tudo paira no alto depois
Dos dedos
Clara se esgota
No chão de cada pé
Com lábios que alcançam seu quase
Desejo
O sorriso escondido de Clara mora
Na pausa da música, ao lado dos deuses
Onde se olham dura e delicadamente
Os espelhos
Na ponta de cada pé
Com braços que alcançam seu quase
Desejo
A música não consegue
O som de todas as mortes
E tudo paira no alto depois
Dos dedos
Clara se esgota
No chão de cada pé
Com lábios que alcançam seu quase
Desejo
O sorriso escondido de Clara mora
Na pausa da música, ao lado dos deuses
Onde se olham dura e delicadamente
Os espelhos
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
estudos sobre a língua em Belleville
Je t’ai aimé
secretement
au coin des Solitaires
J’ai oublié les
jours du fevrier
dans les yeux
aux vanilles
qu'il a transbordé
du mon petit
verre
C’est ton alcool
qui me parfume
comme un souffle
de melancolie
Parce que mes pieds, chérie,
ne sont pas miens
aprés cettes nuits
parisiennes
secretement
au coin des Solitaires
J’ai oublié les
jours du fevrier
dans les yeux
aux vanilles
qu'il a transbordé
du mon petit
verre
C’est ton alcool
qui me parfume
comme un souffle
de melancolie
Parce que mes pieds, chérie,
ne sont pas miens
aprés cettes nuits
parisiennes
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
afinal para que serve
a língua afiada
senão para chicotear
as vergonhas de quem
lhe perturba o equilíbrio
das palavras
?
a língua afiada
senão para chicotear
as vergonhas de quem
lhe perturba o equilíbrio
das palavras
?
Terça-feira, 10 de Março de 2009
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
o amor...
... esta intimidade
que se ganha e
que se perde
com os dias,
esta cumplicidade
complicada que
se cumpre longa e
dolorosamente
no ciclo infinito
das sensações cotidianas
que se ganha e
que se perde
com os dias,
esta cumplicidade
complicada que
se cumpre longa e
dolorosamente
no ciclo infinito
das sensações cotidianas
Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Terça-feira, 3 de Março de 2009
Dança
Dos encontros sobre a cama
O que destila são
Os supinos de um eletrocardiograma
Em slow motion
Até o dia acordar
Completamente desfibrilado
Desejando a varanda
Mais um passo.
O que destila são
Os supinos de um eletrocardiograma
Em slow motion
Até o dia acordar
Completamente desfibrilado
Desejando a varanda
Mais um passo.
Concubina
Do esôfago ao ânus
O ônus
Da tua onipotência
– Meu corpo responde
Nauseante
A teus carinhos –
De pai
Um rasgo no estômago
Que conservo em desarranjo
E em paz
O ônus
Da tua onipotência
– Meu corpo responde
Nauseante
A teus carinhos –
De pai
Um rasgo no estômago
Que conservo em desarranjo
E em paz
Pleurer comme une Madeleine
Ela chora como uma Madeleine
Depois de pecar todos os dias
Religiosamente
É seu vazio que se preenche
A cada esvaziamento
De contente
E cada lágrima é bom sinal
De que todo deslize nunca
É pecado o suficiente
Depois de pecar todos os dias
Religiosamente
É seu vazio que se preenche
A cada esvaziamento
De contente
E cada lágrima é bom sinal
De que todo deslize nunca
É pecado o suficiente
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
l'escargot
há um desenho desses corpos no ar
e um resto de mim
que fica em cada traço
como poeira soprada ao óleo
que secreta cada poro
daquelas digitais furtivas:
a minha unção parisiense
de todo santo dia.
e um resto de mim
que fica em cada traço
como poeira soprada ao óleo
que secreta cada poro
daquelas digitais furtivas:
a minha unção parisiense
de todo santo dia.
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
desejo
este corpo sofre
a linha do tempo
e definha pois a
brasa que derrete toda pele
hoje fere sobre a dor da cicatriz.
a linha do tempo
de dois
e definha pois a
brasa que derrete toda pele
hoje fere sobre a dor da cicatriz.
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Frisson
Um golpe de silêncio
cristaliza o olhar e
nos arranca este sorriso
hidratado
pelas cócegas do sangue
que nos irriga
os músculos desconhecidos
querido,
as horas do copo sempre evaporam
com a minha lavanda.
cristaliza o olhar e
nos arranca este sorriso
hidratado
pelas cócegas do sangue
que nos irriga
os músculos desconhecidos
querido,
as horas do copo sempre evaporam
com a minha lavanda.
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
corte & costume
vejo as flores, Dê,
que dormem atrás da nuvem de alfinetes
que lhe estufam a boca
é belo quando rasteja,
com agulha e linha entre os dentes
sob as rendas barrocas e
e sob as sedas, Dê,
quando você se emaranha
na orquestra esvoaçante dos tecidos
feito o bicho, delicada
larva que se acanha no jardim
de seu casulo arrefecido
que dormem atrás da nuvem de alfinetes
que lhe estufam a boca
é belo quando rasteja,
com agulha e linha entre os dentes
sob as rendas barrocas e
e sob as sedas, Dê,
quando você se emaranha
na orquestra esvoaçante dos tecidos
feito o bicho, delicada
larva que se acanha no jardim
de seu casulo arrefecido
Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
Éter
Esqueci as vergonhas no bar
e encontrei as suas,
logo ali,
na farra úmida das fronhas
desbotadas pelo álcool da
nossa colônia inglesa
que evapora, agora, enquanto
você ri
e encontrei as suas,
logo ali,
na farra úmida das fronhas
desbotadas pelo álcool da
nossa colônia inglesa
que evapora, agora, enquanto
você ri
Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
Criança
vou te espreguiçar no primeiro
travesseiro de memórias frouxas
para ver se com o outro subverto
tua cabeça, infantil e oca,
às alegrias ignoradas que se
perderam bem no meio
de tuas coxas flácidas
travesseiro de memórias frouxas
para ver se com o outro subverto
tua cabeça, infantil e oca,
às alegrias ignoradas que se
perderam bem no meio
de tuas coxas flácidas
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
tinta
os suspiros do mar se escondem nas amêndoas da orla
e nas conchas recheadas de saudades da praia
o verde da concha, ninguém roubaria
pois só ela pode colorir amêndoas à maresia
Ipanema hoje é menos muda, porque concha
e amendoeira podem mudar de cor
no tempo delirante de cada dedo dela
tela da Beta :)
e nas conchas recheadas de saudades da praia
o verde da concha, ninguém roubaria
pois só ela pode colorir amêndoas à maresia
Ipanema hoje é menos muda, porque concha
e amendoeira podem mudar de cor
no tempo delirante de cada dedo dela
tela da Beta :)
Marcadores:
brincando de escrever,
da leveza,
rio
Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
Lírica
íntima,
toda e qualquer palavra que
repousa em cada mão
física,
o esforço perdido ao juntá-las
é o poema que se dissipa
não no ar
toda e qualquer palavra que
repousa em cada mão
física,
o esforço perdido ao juntá-las
é o poema que se dissipa
não no ar
Luau
os dedos que esfolam o aço do violão
não tocam as notas da partitura que
escreveu com os dentes
nos gritos de minhas costas
porque a próxima oitava é sempre a
primeira farsa melodiosa
quando os nervos supõem as notas
que fazem as vezes de cordas
não tocam as notas da partitura que
escreveu com os dentes
nos gritos de minhas costas
porque a próxima oitava é sempre a
primeira farsa melodiosa
quando os nervos supõem as notas
que fazem as vezes de cordas
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
... e não há lacuna ou abismo ou aresta
capaz de sublinhar o limite
entre o teu corpo
e o meu
capaz de sublinhar o limite
entre o teu corpo
e o meu
.
.
.
.
.
Mas há este corpo e este corpo
que se deforma ao sol
porque tudo deseja
e se modifica
que se deforma ao sol
porque tudo deseja
e se modifica
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
Antes da queda
O que toca, ora esmaga se
as palavras tropeçam na língua,
atropeladas entre soluço e lágrima.
A fala já é espera, o
silêncio é um bem que se calça,
quando o êxtase precede a queda.
as palavras tropeçam na língua,
atropeladas entre soluço e lágrima.
A fala já é espera, o
silêncio é um bem que se calça,
quando o êxtase precede a queda.
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
Religiosa
Vestiu sua seda nude e na
confusão do que era pele ou pano
fez seu melhor plano vidro
afora.
Não há cor que agora possa
encharcar-lhe os olhos nem
vento que golpeie seus trôpegos
sorrisos
- os vestígios esquecidos em
seu corpo são roxo-esverdeados
como os olhos que encerram
a páscoa que não a festejou -
Não há amor que agora possa
emaranhar ventre e doutrina se
esta porca nada aos peixes
contra o fluxo da latrina
confusão do que era pele ou pano
fez seu melhor plano vidro
afora.
Não há cor que agora possa
encharcar-lhe os olhos nem
vento que golpeie seus trôpegos
sorrisos
- os vestígios esquecidos em
seu corpo são roxo-esverdeados
como os olhos que encerram
a páscoa que não a festejou -
Não há amor que agora possa
emaranhar ventre e doutrina se
esta porca nada aos peixes
contra o fluxo da latrina
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
É tudo o que este corpo assume
aos estilhaços do que o sucumbe
no ruído que sustenta a dança:
essa doença que desmancha
os dentes e resume a ira que
presume o caos no coração que,
por costume, apaga o fogo do amor
com a manta negra do ciúme.
aos estilhaços do que o sucumbe
no ruído que sustenta a dança:
essa doença que desmancha
os dentes e resume a ira que
presume o caos no coração que,
por costume, apaga o fogo do amor
com a manta negra do ciúme.
Terça-feira, 4 de Novembro de 2008
a parrisse
encontrei por acaso
a mala que esqueceu
quando foi a paris
nela
meus olhos miúdos sangraram
na festa de um beaujolais
nouveau
as roupas gemiam como o acordeão
cansado
que embebedava o quartier
latin
e o perfume
cheirava às putas do pigalle
tão suaves como só
a parrisse
peguei pra mim
sua bagagem e meu tropeço
que perdeu viço:
você voltou
mas o vício que fica
entedia
no recomeço
da minha festa de amor
a mala que esqueceu
quando foi a paris
nela
meus olhos miúdos sangraram
na festa de um beaujolais
nouveau
as roupas gemiam como o acordeão
cansado
que embebedava o quartier
latin
e o perfume
cheirava às putas do pigalle
tão suaves como só
a parrisse
peguei pra mim
sua bagagem e meu tropeço
que perdeu viço:
você voltou
mas o vício que fica
entedia
no recomeço
da minha festa de amor
Aquarelas
Beijou as paredes do quarto com
Os cílios de carvão molhado
Pintados para desenhar algum
Rosto desfigurado.
Pousou à primeira nuvem e
Foi dançando seu pequeno enfado
Até rabiscar enfim o teto
Num piscar de olhos aguados.
Os cílios de carvão molhado
Pintados para desenhar algum
Rosto desfigurado.
Pousou à primeira nuvem e
Foi dançando seu pequeno enfado
Até rabiscar enfim o teto
Num piscar de olhos aguados.
Domingo, 26 de Outubro de 2008
Ressaca
Foi preciso enraizar o tempo
Para que farfalhassem os ecos
De um carnaval fora de época
Tudo o que se viu foi o balé
Das folhas secas na calçada
É doce a ressaca
Ainda que tudo o que se vomite
Seja essa flora tardia
Para que farfalhassem os ecos
De um carnaval fora de época
Tudo o que se viu foi o balé
Das folhas secas na calçada
É doce a ressaca
Ainda que tudo o que se vomite
Seja essa flora tardia
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
Eternidade
É por tudo ser eterno
que mesmo após a morte
você sobrevive.
É por ser o céu perverso
que o luto de quem vive
dura o tempo da sorte.
que mesmo após a morte
você sobrevive.
É por ser o céu perverso
que o luto de quem vive
dura o tempo da sorte.
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
a doença do acaso
jamais saberia que uma noite apenas
transformaria um lençol embaraçado
em anzóis estalados na língua
se não beijasse com o peito escasso
essa foto que em minha boca míngua
vermelha e tenra como o meu escárnio
transformaria um lençol embaraçado
em anzóis estalados na língua
se não beijasse com o peito escasso
essa foto que em minha boca míngua
vermelha e tenra como o meu escárnio
Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Perda
Quatro passos e
envergo o olhar sobre a escada
que recolhe os efeitos da luz;
a virgem do vitral carimba minha cara
e esqueço que o caminho de casa
é só um desenho
que eu supus.
Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
bolo
eu quero algo
para dar leveza
ao meu bolo
mas não quero
a leveza vazia
que fermento dá
claras em neve
compõem à risca
também dão gosto
a este trigo
tão sem graça
que quer aerar
para dar leveza
ao meu bolo
mas não quero
a leveza vazia
que fermento dá
claras em neve
compõem à risca
também dão gosto
a este trigo
tão sem graça
que quer aerar
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lareira
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Domingo, 21 de Setembro de 2008
solstício
ao contemplar a forma:
a noite é para dentro
e o dia, para fora.
por isso, todo o igual
nos escapa, apenas,
pelo igual do gesto.
e dois iguais se encontram
pela diferença que os conduz
o que difere o dia da noite
é só o tempo de tocar a luz
a noite é para dentro
e o dia, para fora.
por isso, todo o igual
nos escapa, apenas,
pelo igual do gesto.
e dois iguais se encontram
pela diferença que os conduz
o que difere o dia da noite
é só o tempo de tocar a luz
Um beijo...
... Até pode brincar
Mas ele,
não estiver sendo
com algumas densidades.
Mas ele,
por ele mesmo,
não diz nada se
alguma coisa,
por meio dele,
não estiver sendo
dita.
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
a morte do soneto
o soneto era uma mentira
que engessada na forma
rompeu com a delicadeza
e assim com a poesia
que rompeu com o método
para sobreviver
enquanto o soneto
borboleteava ao passo
que morria
que engessada na forma
rompeu com a delicadeza
e assim com a poesia
que rompeu com o método
para sobreviver
enquanto o soneto
borboleteava ao passo
que morria
Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Domingo
o poema escrito no sonho se
apaga à luz da madrugada cinza
é a obsessão contraceptiva da
cidade que o impede de existir
Domingo é este enfadonho que
ruidoso em seu silêncio ainda
secreta nuvens abismadas sob
os passos que não querem vir
livres como o verso branco e
póstumos como madeira antiga
como a dura mão ensimesmada
que destila o que não expelir
apaga à luz da madrugada cinza
é a obsessão contraceptiva da
cidade que o impede de existir
Domingo é este enfadonho que
ruidoso em seu silêncio ainda
secreta nuvens abismadas sob
os passos que não querem vir
livres como o verso branco e
póstumos como madeira antiga
como a dura mão ensimesmada
que destila o que não expelir
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008
Lydia
O ípsilon de seu nome
era a furtuosa fenda
da metáfora de seus dias.
A letrinha, pequeno anzol,
para arrastar presas e iscas
às galerias úmidas de
sua grega alma híbrida.
era a furtuosa fenda
da metáfora de seus dias.
A letrinha, pequeno anzol,
para arrastar presas e iscas
às galerias úmidas de
sua grega alma híbrida.
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
Não por inteiro
fragmentos experimentais da cena e
o que escapa é o que foge à fuga:
aquilo que demitimos da corcunda do
tempo que a si não mais condena
a parte que vai leva junto a poeira e
não deixa rastros da partida, leva os
quadros e as sombras e as cores dessa vírgula.
o que escapa é o que foge à fuga:
aquilo que demitimos da corcunda do
tempo que a si não mais condena
a parte que vai leva junto a poeira e
não deixa rastros da partida, leva os
quadros e as sombras e as cores dessa vírgula.
Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Ponte Aérea
Paisagem
Havia beleza lá fora
onde mar e céu aninhavam a brisa
que arranhava o corpo a reverberar pela orla
Agora
Há virtude lá fora
onde janelas e carros refletem a vida
que desarranja o corpo a vagar por sua alma
Fundamental dessemelhança
Poder olha pra fora
e ter de olhar para a própria herança
Havia beleza lá fora
onde mar e céu aninhavam a brisa
que arranhava o corpo a reverberar pela orla
Agora
Há virtude lá fora
onde janelas e carros refletem a vida
que desarranja o corpo a vagar por sua alma
Fundamental dessemelhança
Poder olha pra fora
e ter de olhar para a própria herança
Temporal
Cada lágrima,
um calo
sobre o colo de
quem - consente
quando - cala.
um calo
sobre o colo de
quem - consente
quando - cala.
engraçado, eu adoro esse...
Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Duna
Com a pinça de seus calos retirou,
uma a uma,
as agulhas que plantaram
no Saara daquela retina
E a resignação de quem amou,
dia a dia,
não é mais o que arranha,
mas areia doce dos figos
da menina.
uma a uma,
as agulhas que plantaram
no Saara daquela retina
E a resignação de quem amou,
dia a dia,
não é mais o que arranha,
mas areia doce dos figos
da menina.
Dessoneto piano
A imagem grisalha da sala
diz a febre das demoradas teclas
no marfim de cada acorde:
Ele é apenas um peso que
não mais carrega a
saliência musical que escorre
uma ampulheta viva
À deriva, dorme sob outros
retratos e flores que em vasos
dissecam suas notas
Como os homens que gozam
o preto-esbranquiçar das horas
em caixas de madeira,
pedra e fita coloridas.
diz a febre das demoradas teclas
no marfim de cada acorde:
Ele é apenas um peso que
não mais carrega a
saliência musical que escorre
uma ampulheta viva
À deriva, dorme sob outros
retratos e flores que em vasos
dissecam suas notas
Como os homens que gozam
o preto-esbranquiçar das horas
em caixas de madeira,
pedra e fita coloridas.
Dessoneto largo
aquilo que destila de seus olhos,
mistérios de silêncio em cada cílio a
desabar no ventre andarilho da
alma que se lança em cada poro
o tempo se curva a afagar a noite e
alarga a aurora para suspender a
breve cinza de sortidos paetês
a luz é acre, engodo, sacrifício
que vomito em meu ouvido a
mastigar as unhas do passado
velado em cada sorriso abafado,
costurado nas entranhas do não-dito
corando a terna espera de um espírito
imerso em seu carnaval inventado
mistérios de silêncio em cada cílio a
desabar no ventre andarilho da
alma que se lança em cada poro
o tempo se curva a afagar a noite e
alarga a aurora para suspender a
breve cinza de sortidos paetês
a luz é acre, engodo, sacrifício
que vomito em meu ouvido a
mastigar as unhas do passado
velado em cada sorriso abafado,
costurado nas entranhas do não-dito
corando a terna espera de um espírito
imerso em seu carnaval inventado
Proparoxítona
um espaço
é o tempo que vem contar
os passos da cegueira
de tudo o que pousou
na cama pobre
só os cabelos cacheados
não a difamaram
eles não mais estão lá
nem na cama
ou fora dela
eles se guardam onde
guardam um pedaço do
espaço que nunca
existiu.
é o tempo que vem contar
os passos da cegueira
de tudo o que pousou
na cama pobre
só os cabelos cacheados
não a difamaram
eles não mais estão lá
nem na cama
ou fora dela
eles se guardam onde
guardam um pedaço do
espaço que nunca
existiu.
sweetheart
não é fácil caramelizar um coração
eriçado pelos fantasmas de abril
não é fácil, bayb, nem violar o segredo
ou a perversão que mancha os dedos
de qualquer alma
- aprendi que os piores ruídos
acontecem em silêncio -
tudo acontece em silêncio
nesse seu coração manco, e tão caramelizado,
que se derrete, exposto e velado,
with all some Love
and saudade
eriçado pelos fantasmas de abril
não é fácil, bayb, nem violar o segredo
ou a perversão que mancha os dedos
de qualquer alma
- aprendi que os piores ruídos
acontecem em silêncio -
tudo acontece em silêncio
nesse seu coração manco, e tão caramelizado,
que se derrete, exposto e velado,
with all some Love
and saudade
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